segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Desça do muro e viva!!!!


Nada mais insuportável do que gente que não diz o que sente. Ou que não sente e não diz.

Tenho impulsos de esganar aqueles que demonstram tanta emoção quanto um sapo ornamental, com cara de paisagem e um sorrisinho indecifrável grudado na fuça. Amigo do peixe e camarada da isca. Escorregadio.
Não dá pra confiar em quem se dá bem com todo mundo. Parto da premissa que quem é amigo de todos não é verdadeiramente amigo de ninguém. Isso é só insegurança travestida de simpatia, uma baita necessidade de aceitação. Um tanto patético em se tratando de adultos, vamos convir. Da mesma forma, não boto nem um tiquinho de fé em homem que se dá fenomenalmente bem com todas as suas ex-namoradas, é sinal de que não se envolveu efetivamente com nenhuma, de que é tão raso e auto-resguardado que sai dos relacionamentos como se tivesse saído do cabeleireiro: impecável.


Pessoas assim acham mais importante continuar sendo gostadas do que amar, se entregar, e correr os riscos que isso envolve. Inclusive o de serem odiadas.
Por isso, quase nada (a não ser a ausência prolongada de orgasmos) é tão decepcionante, esfrangalha tanto os nervos de uma mulher como dividir a vida com um equilibrista, um morde-e-assopra. Está além das fronteiras do frustrante: dar atenção, deixar de dar atenção, brigar, fazer as pazes com sexo tântrico. Nenhum surto, nenhum grito, nenhum beijo, nenhum riso largo e sonoro. Tudo sempre é morno. Sempre aquele irritante, imbecil, pseudozen sorrisinho incógnito.
Confesso minha inaptidão para compreender esse cruzamento de sentimentos de estátua com feições de garoto-propaganda de pasta de dente: gosto ou não, sem meio-termo.


Não existe esse troço de “estado de suspensão amorosa” – até porque, se fulano não faz diferença na minha vida, está automaticamente fora dela.

Desde pequena, aprendi que o que não se usa deve ser jogado fora para abrir espaço para o novo. Por isso, acho impossível entender essas pessoas para as quais as outras são como queijo ralado em pratos gratinados: se tiver, “oba, que delícia!”; se não tiver, não faz diferença. Se não é pra se molhar, pra que raios entrar na água?
Passionalidade é o que difere as relações humanas do cruzamento das minhocas e do namoro das iguanas.


Quem passa pelo outro sem se intoxicar dele deixou de viver para se preservar e vai ganhar o que com isso? Histórias recheadas de momentos maravilhosos? Lembranças divertidas? Não, só vai perder: perder o próprio tempo e desperdiçar o do outro, privá-lo de viver com 100% da capacidade.

Paixão de verdade, daquelas que valem a pena gozar, deixa vestígios. Qualquer coisa vivida por inteiro deixa vestígios: boa comida só é preparada sujando panela, quadros só viram obras-primas depois de muita tinta ter encardido as mãos do artista.
Amar, para mim, é como comer manga: o prazer é diretamente proporcional à lambança e ao tempo em que se demora para tirar os fiapos. E daí se mancha?


Tudo na vida tem seu preço. E algumas valem cada centavo. Pague pra ver.”

domingo, 2 de agosto de 2009

Porto Alegre




Porto Alegre, tuas ruas tem infinitas histórias
E em todas suas rotas, vejo o poeta e a poesia
O escrito e o escrevente, descrito nesta memória
Como o revoar das pombas, das torres da reitoria…
Quem me dera, seu eu fosse um filho de Veríssimo
Ou um neto de Quintana, bem que eu poderia ser
Para dar-te Porto Alegre, um verso muito ilustríssimo
E neles ilustrados as suas ruas, em seu lindo amanhecer…
Eu bem que poderia ser mais um ipê da Redenção
E num domingo de Brique, desfolhar-me na Bonifácio
Anunciando o outono, no final de mais um verão
Enfeitando de flores, as linhas deste meu prefácio…
E de lá iria com o vento, ou quem sabe ele eu seria
E assim eu correria pelo Guaíba, do Gasômetro à Ipanema
E assim atravessaria os morros da Glória até a Serraria
E em Porto Alegre eu me esparramaria, como um simples poema…
E minhas palavras chegariam até Moinhos de Vento
E passeariam pela Goethe até findar-se na Mariante
E esboçariam em palavras, este meu grande sentimento
Depositadas em rimas, como uma flor lapidada em diamante…
Porto Alegre, quem me dera sê suas ruas falassem
E no adentrar da noite, suas histórias pudesse me contar
Falaria-me dos passos na madrugada, como se cantassem
As Pegadas de Bebeto Alves, nas ondas sonoras soltas no ar…
Há em mim um pouco do Menino Deus, andando pela Getúlio
Há também um pouco do punk, desfilando pela Osvaldo
Há todo aquele frio do vento na Andradas nas manhas de julho
E o caminho da Farrapos, do centro até São Geraldo…
Porto Alegre, lá me vou pela Borges seguindo-a para o Beira-Rio
Ou quem sabe pela Azenha, até o Olímpico Monumental
O vermelho e o azul, equilibrando-se ao teu meio-fio
E nestas suas sendas, a história de um outro Gre-Nal…
Nas tuas esquinas, meninos vendem o Correio e a Zero Hora
Trazem as notícias do que foi ontem, mas não prevêem o futuro
Ah, Porto Alegre, os meus passos eu firmo em ti agora
E observo na Mauá, o detalhe de um artista pintado no muro…
Ah, Porto Alegre, em tuas ruas um povo que luta e protesta
Os caras pintadas, colonos sem terra, professores e suas sinetas
Também há comemoração, tri-legal tuas ruas sempre abertas
Magia simples, casas antigas, venezianas nas venetas…
Porto Alegre, quem me dera morrer, e assim virar poeira
Esparramando-me pelas solas dos sapatos, nas noites sem lua
Assim estaria nos seus caminhos planos, até em suas ladeiras
E me eternizaria feliz, nos ladrilhos de suas ruas …

Pra que serve uma relação? Dr. Drauzio Varela


Definição mais simples e exata sobre o sentido de mantermos uma relação?


"Uma relação tem que servir para tornar a vida dos dois mais fácil".



Vou dar continuidade a esta afirmação porque o assunto é bom, e merece ser desenvolvido. Algumas pessoas mantém relações para se sentirem integradas na sociedade, para provarem a si mesmas que são capazes de serem amadas, para evitar a solidão, por dinheiro ou por preguiça. Todos fadados à frustração. Uma armadilha.

Uma relação tem que servir para você se sentir 100% à vontade com outra pessoa, à vontade para concordar com ela e discordar dela, para ter sexo sem não-me-toques ou para cair no sono logo após o jantar, pregado.

Uma relação tem que servir para você ter com quem ir ao cinema de mãos dadas, para ter alguém que instale o som novo, enquanto você prepara uma omelete, para ter alguém com quem viajar para um país distante, para ter alguém com quem ficar em silêncio, sem que nenhum dos dois se incomode com isso.

Uma relação tem que servir para, às vezes, estimular você a se produzir, e, quase sempre, estimular você a ser do jeito que é, de cara lavada uma pessoa bonita a seu modo.

Uma relação tem que servir para um e outro se sentirem amparados nas suas inquietações, para ensinar a confiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, e deve servir para fazer os dois se divertirem demais, mesmo em casa, e principalmente em casa.

Uma relação tem que servir para cobrir as despesas um do outro num momento de aperto, e cobrir as dores um do outro num momento de melancolia, e cobrirem o corpo um do outro, quando o cobertor cair.

Uma relação tem que servir para um acompanhar o outro no médico, para um perdoar as fraquezas do outro, para um abrir a garrafa de vinho e para o outro abrir o jogo, e para os dois abrirem-se para o mundo, cientes de que o mundo não se resume aos dois.